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Sabatina com Pedro Bigardi em 04 de julho

Publicada em 07/07/2013 às 19:39 | por Colunista Convidado

Artigo de Daniele Savietto

A sabatina com o Pedro Bigardi organizada pela iniciativa Voto Consciente Jundiaí, foi um oportunidade para ouvir pessoalmente as propostas da nova gestão e ainda questionar sobre dúvidas, incoerências etc. Esta iniciativa trouxe uma abertura para que as pessoas comuns (como eu) tivessem a oportunidade de participar de maneira mais próxima das decisões que influenciam a todos em nossa cidade, tendo a possibilidade de questionar de maneira direta e ser respondido exatamente por quem nos interessa, aquela pessoa que através da confiança da maioria da população ganhou a possibilidade de decidir quais as melhores iniciativas para o dinheiro público, nosso prefeito.

De maneira geral o Plano apresenta todas as questões necessárias a uma gestão de qualidade, porém ele é bem abrangente e um tanto vago, mesmo as ações propostas não são objetivas o que faz com que a avaliação posterior seja difícil, exemplificando: “Ampliar o número de visitantes ao Museu Histórico e Cultural de Jundiaí”, ampliar como? Para quanto? Se hoje ele recebe 10 visitas por mês e isso passar apara 12 o número foi ampliado, mas não de maneira significativa. Ou ainda quando se fala sobre Promoção de Igualdade Racial coloca-se como ação “Realizar seminários específicos sobre o tema”, e me vem a mesma pergunta, como, quando, onde, quantos?

Entendo que cada secretaria irá desenvolver melhor e de maneira mais detalhada cada uma das ações propostas, porém deixar as coisas de maneira mais generalizada parece intencional já que dificulta cobrança posterior.

De maneira geral gostei muito da presença e disponibilidade do prefeito em responder as questões, acredito que isso vá de encontro com sua proposta de uma gestão transparente, ponto positivo. Ele também não foi prolixo e discursivo, tentou ser objetivo e responder as questões de maneira clara, gostei disso.

Boa parte do tempo as perguntas foram relacionadas ao transporte, o que é totalmente compreensível frente ao momento que vivemos pós-onda de manifestações Passe-Livre. Nada mais justo que uma maior preocupação do governo em atender essa demanda e mais coerente das pessoas de questionarem sobre isso. Sou bem leiga no assunto, mas para mim as propostas pareceram pertinentes, como estruturar melhor os terminais, bilhete único, possível redução da tarifa sendo estudado e uma que achei genial foi à integração com bicicletários para garantir uma melhor mobilidade urbana. Porém achei a ênfase dada no congelamento da tarifa, publicidade política desnecessária já que este congelamento continua refletindo uma tarifa alta para um transporte de péssima qualidade.

Na saúde problemas no São Vicente foram apontados, criação de UPAS, e também um interesse e esforço para mudanças urgentes. Na segurança ele disse que já participou de reuniões como comando da PM e esforços serão realizados.

O Plano de Metas para a educação me pareceu muito elusivo, com indicadores pouco relevantes e ações vagas: “Intensificar a educação de jovens e adultos, Valorizar e formar continuamente os profissionais da educação, qualificar e melhorar os ambientes escolares”, para mim estas colocações não são ações já que não identificam, quando, como, por onde, sendo na verdade metas que precisarão de ações para ser concretizadas.

Na verdade este problema repete-se durante o programa, ações que na verdade refletem metas por serem extremamente abrangentes e nada objetivas.

Questionei sobre a proposta de atingir 500 vagas de ensino superior, vagas em que áreas? Quais cursos? A resposta é que já está agendada uma reunião com um Reitor de um Instituto Federal (mas não foi dito qual instituto é este) para detectar os cursos através de audiência e que um levantamento de necessidades industriais está sendo feito para desenvolver os cursos necessários para formação de mão de obra.

Esta é minha primeira crítica, discordo da ideia de uma educação onde seu principal objetivo é formar mão de obra para suprir necessidade empresarial. Não que pensar em empregabilidade está errado, porem o principal objetivo e preocupação educacional precisa estar muito mais voltado à formação de cidadãos críticos e autônomos, que tenham a possibilidade de entender o mundo e escolher sua atuação e não apenas supridores de demanda.

Este também foi o discurso que transpareceu no Ciesp no seminário que discutiu os desafios para educação, uma preocupação com formação de mão de obra, (fica parecendo que formaremos apertadores de parafusos), nosso governo precisa se preocupar mais com as pessoas do que com as empresas, este pode sim ser um problema para as empresas, mas qual o principal problema e dificuldade das pessoas na área educacional?

Acredito que as empresas não devem ser o centro de pesquisa para identificação de possíveis cursos, as escolas devem ser esse espaço, será que pensaram em perguntar aos próprios jovens o que eles gostariam de estudar? Aos professores destes jovens que tipo de ensino falta a eles, dar oportunidade realmente de escolha para os jovens, e não criar somente aquilo que satisfaça uma massa industrial, pois assim aparentemente teremos mais o que, engenharias?(filosofia, sociologia nunca mais né?)

Um outro problema no plano de Metas está relacionado a Ciência e Tecnologia, tendo como objetivo alcançar 100% das escolas públicas com internet banda larga, implantar 20 pontos de internet provida no município etc. Porem não há no plano nenhuma ação referente a uma literacia para as mídias, sendo que esta questão é hoje uma das grandes preocupações da Unesco. Este termo “literacia” pode parecer especifico demais e quando questionei sobre isso nosso prefeito não soube o que responder. Ok, ninguém tem obrigação de entender sobre assuntos aparentemente tão específicos, mas o negócio é que isto não é assim tão específico, pode ser para minha irmã, veterinária, mas para o secretario da Educação e para um prefeito que em sua campanha pautou a educação como sua maior bandeira não deveria ser.

Para que fique um pouco mais claro, “literacia mediática deve ser entendida como a capacidade de utilizar autonomamente os diversos media, de compreender e avaliar de modo crítico os diferentes aspectos dos media e dos seus conteúdos, assim como de comunicar em diferentes contextos, criar e difundir conteúdos mediáticos; observa, além disso, que, perante a multiplicidade de fontes disponíveis, o mais importante é a capacidade de filtrar com exactidão e ordenar informações do caudal de dados e imagens dos novos media” (Unesco, 2008)

Por que isso é realmente importante? Os jovens recorrem a internet hoje como principal fonte de informação, esta é uma das competências essenciais para aprendizagem ao longo da vida (Recomendação 2006/962/CE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 18 de Dezembro de 2006), além de ser uma preocupação antiga, já que a Unesco traz estas preocupações desde a Declaração de Grünwald em 1982.

Nada mais obvio que o poder dos meios de comunicação, principalmente a Internet (ou não foi ela quem mobilizou as manifestações que temos assistido e participado?), fica evidente que uma educação neste sentido é necessária e urgente. Você vê uma preocupação em ampliar o acesso como se fosse à solução para problemas, mas ele não é.

O acesso é sim muito importante, e valorizo a inciativa em amplia-lo, porém esta ação isolada não contenta as reais necessidades, pois de que adianta levar a internet para as pessoas e não oferecer uma educação verdadeiramente inclusiva para sua utilização. Neste caso não é nem dar o peixe ao invés de ensinar a pescar, é dar a vara sem explicar o que é o peixe, como se pesca e o que a pessoa fará com isso torna-se problema dela.

Isso também entra em contradição com a própria proposta da nova gestão, de um governo transparente, democrático e de transformação. Como isso realmente será eficiente se um dos principais indicadores apontados por várias instituições como Unesco é a necessidade da educação para as mídias como base de formação para um cidadão critico, consciente e ativo civilmente:
“a educação para os media constitui um elemento crucial da política de informação dos consumidores, (…) da participação democrática activa dos cidadãos e do incremento do diálogo intercultural; Considerando que os media criam oportunidades para a comunicação global e a abertura ao mundo, constituem pilares essenciais das sociedades democráticas e veiculam simultaneamente saber e informação; que os novos media digitais proporcionam oportunidades de participação positiva e de criatividade, induzindo, assim, um aumento da participação dos cidadãos nos processos políticos” (2008/2129(INI) Parlamento Europeu).

Digo que para mim é um tanto decepcionante não encontrar as convergências entre a educação e a aplicação de novas tecnologias, pois não adianta ampliar em 100% o acesso a banda larga as escolas e não dar formação para os professores e para os alunos sobre este universo, é por isso que vemos tantas informações falsas e inconsistentes sendo compartilhadas no Facebook como verdades absolutas por exemplo.

Gostei muito da fala final do Henrique Parra quando apontou a importância de trazer diretores e professores para estas discussões para que assim o jovem seja atingido. Os professores são os grandes multiplicadores e por isso a participação deve ser muito mais ativa do que tem sido, os jovens estão sim interessados nestas discussões e querem fazer parte disso, senti isso na pele quando nas ultimas semanas de junho ficou impossível dar conteúdos em sala, pois o que eles realmente queriam era entender e participar do que acontecia no cenário nacional.

Enfim, apesar das criticas gostei da postura aberta e interessada da participação civil da nova gestão, mas mais do que isso gostaria de parabenizar a iniciativa Voto Consciente por criar ambientes onde este diálogo torna-se possível, estão realmente atingido seu objetivo de construir espaços para uma discussão coletiva.

Colunista Convidado

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