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Secretária de Saúde vê ‘acolhimento’ em UBS como salvação

Publicada em 28/02/2010 às 20:20 | por Voto Consciente Jundiai

Domingo, 28 de fevereiro de 2010 – 00:08
Tânia Pupo aposta que qualificação da atenção básica é decisiva para que Jundiaí possa deixar de tratar só a doença e começar a ter recursos para promover qualidade de vida

Agência BOM DIA

Primeira mulher a ser sabatinada pelo Conselho de Leitores, a secretária de Saúde, Tânia Pupo, se armou de pastas, relatórios e uma infinidade de números. Essa é sua receita: ter informações de todas as demandas para poder buscar as soluções

Quem é Tânia Pupo?
A secretária de Saúde de Jundiaí possui graduação em enfermagem pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, especialização em Saúde Pública pela Universidade de Campinas, em Saúde Coletiva pela Fundação de Desenvolvimento Gerencial e tem mestrado em Administração de Serviços de Saúde e doutorado em Práticas de Saúde Pública, ambos pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, da qual é professora colaboradora. É professora adjunta da FMJ (Faculdade de Medicina de Jundiaí)

Tânia Pupo fala de novidades nas Unidades Básicas de Saúde, avalia a complexa questão dos remédios de alto custo, anuncia detalhes da campanha de vacinação contra a gripe suína e se revela ansiosa por ver as coisas acontecerem mais rapidamente no poder público — veio da iniciativa privada. “Sou cobrada por resultados e eles estão aparecendo, mas quero acelerar esse processo”.

Guaraci – Saúde foi a ‘pedra no sapato’ do governo Ary Fossen. Não vejo o mesmo hoje. O que mudou?
Tânia Pupo – Tenho perfil técnico, com possibilidade de contribuir para resolver diferentes questões. Articulo, negocio e busco soluções.

Matias de Souza – É delicada a questão de saúde e doença…
Tânia – O maior desafio é mudar o sistema e oferecer recursos para a promoção da saúde, o caminho encontrado por países mais desenvolvidos, e não apenas trabalhar as doenças.

Vinícius – O caminho é a prevenção nas escolas?
Tânia – Dentro da prefeitura, trabalhamos integrados. Mas para mudar é preciso uma geração. Redirecionamento está em curso. Ao assumir, coordenei um planejamento estratégico. Fizemos uma ‘foto’ do que ocorria em janeiro de 2009 e projetamos por quatro anos. Precisamos atentar que em Jundiaí, com o envelhecimento da população, há mudança no perfil das doenças.

Orestes – Qual a meta?
Tânia – Antes, não se conversava. A atenção básica era uma coisa, a hospitalar outra… Estamos integrando todos. A meta agora é qualificar a atenção básica, investir nos recursos humanos para que esse treinamento resulte em melhor acolhimento da população pelos profissionais de saúde. Também melhorar o uso de recursos, trazer novos conceitos. Mas o principal mesmo é no acolhimento de quem nos procura, na escuta qualificada.

Zilda – Muita gente em UBS acha que está ali fazendo um favor ao cidadão…
Tânia – Isso vem mudando. Em três unidades estamos com um projeto Piloto. Na Tulipas o acolhimento é modelo e vamos estender.

Matias – Na Vila Maringá é ótimo…
Tânia – Essa é outra em que o atendimento vem sendo feito por uma equipe multidisciplinar.

Orestes – Agora haverá mais cargos de chefia nas UBSs?
Tânia – Não é trazer mais gente, como alguns divulgaram erroneamente. É função gratificada. É selecionar um coordenador dentro do grupo para que alguém na UBS mapeie necessidades, coordene a equipe, se reúna com gestores. Isso vai melhorar o atendimento.

Edu Cerioni – Isso tudo traz economia?
Tânia – Muitos não buscam saúde, mas querem apenas ser ouvidos. Às vezes só isso já esgota a demanda. Então economizamos. O ser humano é complexo.

Elis Soares – Essa experiência vem de outras cidades?
Tânia – Santos, Campinas fazem assim. Havia um hiato local com a central. A gente passava uma orientação, chagava lá e ninguém via, ninguém se responsabilizava por ela.

Guaraci – O SUS [Sistema Único de Saúde] não acompanha a evolução dos remédios? É por isso que em minha área [advocacia] são tantas ações?
Matias – Por que o remédio de alto custo não é distribuído na UBS?
Tânia – Porque é competência do Estado. Aqui, só intermediamos para evitar que a população tivesse que ir até Campinas. Assim, as ações na Justiça por novos remédios deveriam ser movidas contra o Estado. Mas como o município é mais próximo, nós é que sofremos. Em um primeiro momento acolhemos e, depois, buscamos ressarcimento também.

Tânia Borges – Há exagero dos profissionais em receitar remédios de alto custo?
Tânia – A indústria farmacêutica vai colocando produtos no mercado… Nossa ideia com o novo organograma é ter um representante no colegiado de saúde capacitado para trabalhar a linha de cuidados. Ele até já vem sendo treinado no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. Com ele poderemos saber que remédio usar e em que nível a cada caso.

Orestes – Qual o orçamento da Saúde?
Tânia – R$ 231 milhões. Em 2009, foram R$ 225 milhões e executamos 93,3%. Não chegamos ao total por causa de processos licitatórios.

Edu – E qual balanço o prefeito fez desse resultado?
Tânia – Disse que sou gastona (risos). Sério: trabalho e sou cobrada por resultados. Ele aprovou, pois dentro do orçamento ainda encrementados os exames em 20%, passando dos 630 mil. E tivemos os mutirões e muitas ações.

Matias – Essa estrutura e o São Vicente tão precário…
Tânia – Revisamos o convênio do HU ano passado e estamos fazendo o mesmo com o São Vicente agora. Além de avaliação quantitativa, estamos fazendo a qualitativa e são bons indicadores. Há superlotação e precariedade predial, mas o serviço é bom. Se eu me internaria ali? Se indico o São Vicente? Com toda certeza.

Edu – Foi nessa revisão que caiu toda a diretoria do HU?
Tânia – A FMJ e a Fundação Jayme Rodrigues é que gerem o HU.

Orestes – Se vier o Hospital Regional, como fica?
Tânia – Se vier…

Edu – Se?! Ele vem, não é?
Tânia – (risos) Acabei indo na mesma linha de raciocínio. Vem, sim. Vamos assinar o termo de compromisso com o Estado. Está tudo certo. A primeira etapa vai permitir que se faça ali as cirurgias de pequena complexidade em integração total com o AME (Ambulatório Médico de Especialidades). E tudo será por conta do Estado. Só entregaremos o prédio pronto.

Edu – Em algum momento Jundiaí chegou a perder o Hospital Regional?
Tânia – Houve aquela ação da Unimed e isso congelou as coisas, até que a análise jurídica mostrou que poderia seguir as tratativas com o Estado. O que aconteceu é que o governador (José Serra) veio aqui, foi perguntado [Nota da Redação: pela reportagem do BOM DIA, quando da inauguração do Poupatempo] e negou responsabilidade. Mas isso mudou. Houve ação técnica e política do Miguel com o Serra e o Hospital Regional vem aí.

Zenilton da Silva – Quando? E o AME?
Tânia – O AME teve a segunda fase homologada e reiniciamos as obras a todo vapor. Inauguramos ainda no primeiro semestre. O hospital, pela minha experiência, leva mais tempo. O Serra prometeu no segundo semestre (em entrevista exclusiva ao BOM DIA), mas acho que gira em torno de um ano, um ano e meio para funcionar. Mas assinando o compromisso, fica garantida a verba.

Tânia Borges – Foi prematura a desapropriação da Casa de Saúde?
Tânia – Naquele momento era o certo a ser feito.

Zilda – Como anda a saúde da mulher?
Tânia – Temos baixa cobertura para o Papa Nicolau e a mamografia, que previnem o câncer. Mas estamos investindo no ciclo da mulher, trabalhando desde a adolescente, com a questão das DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis), a gravidez e buscando parcerias público-privadas.

Maria – Acompanho uma atendida no Pré-Natal do HU e me surpreendi… Há a mesma atenção nos bairros?
Tânia – Em 2009, fizemos capacitação de toda a equipe. Assim há um modelo padrão de atendimento. Temos um projeto maravilhoso no Santa Gertrudes e esse é o desenho que queremos ampliar para a rede toda, com técnicos em formação trabalhando os grupos de mães.

Orestes – Qual a vantagem de ter uma FMJ?
Tânia – Uma delas é esse trabalho no Santa Gertrudes, que merece ser conhecido.

Edu – Há ainda estudantes da UniAnchieta…
Tânia – Fazemos um trabalho interligado que vai além de medicina e enfermagem, com fisioterapia, nutrição. As universidades nos permitem disponibilizar mais profissionais para atender a população.

Orestes – Como a senhora trabalha a política abortiva do Ministério da Saúde?
Tânia – Como assim?

Orestes – Tem métodos anticoncepcionais, pílula do dia seguinte…
Tânia – A pílula segui orientação da Justiça de distribuir. Mas trabalhamos sim para evitar gravidez na adolescência.

Elis – Há muita reclamação quanto ao tratamento de câncer. O que fazer?
Tânia – O atendimento é outro, muito bom desde a inauguração do acelerador linear do São Vicente. Até estamos pedindo recursos para o Estado para poder ampliar para toda a região. Tenho relatórios de queixas e houve grande redução.

Edu – E as filas para cirurgias? Vão diminuir?
Tânia – Não vamos terminar com filas nunca sem antes fazer um atendimento básico e de integração. Com o AME vai melhorar. Mas leva uns dois anos para acertar todo o sistema.

Edu – Mais mutirões virão?
Tânia – Vamos mudar, trabalhar em duas estratégias: acolhimento e matriciamento, ou seja, o especialista não fica esperando a vinda do paciente, mas vai na UBS. Vamos começar em 5 delas. Esse especialista faz a consulta e já aproveita esse atendimento em conjunto com o clínico geral ou outro profissional para lhe passar orientações, são duas funções.

Elis – E a gripe suína?
Tânia – Tivemos um único óbito ano passado. Trabalhamos com expectativa de que essa segunda onda seja mais fraca. Há um calendário de vacinação determinado no Brasil, de março a maio.

Elis – Todos serão vacinados?
Tânia – Não. O primeiro grupo é dos profissionais de saúde, 7,5 mil pessoas. Depois, gestantes, crianças de 6 meses e abaixo dos 2 anos, adultos de 20 a 39 anos e pessoas com doenças crônicas.

Edu – A dengue está controlada?
Tânia – O mosquito ‘tá’ voando, não podemos descuidar um minuto.

fonte: BOMDIA

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