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Casa cheia, pena que nem sempre…

Publicada em 03/05/2015 às 19:16 | por Colunista Convidado

A Câmara de Jundiaí registrou lotação além de sua capacidade na última sessão ordinária, a de número 100, na terça-feira do dia 28 de abril. Motivo: o comparecimento em massa dos professores da rede estadual de ensino, em greve há mais de quarenta dias, e funcionários da Guarda Municipal. Os grupos lotaram as dependências para pedir aos vereadores a interlocução de suas reivindicações junto governo de São Paulo e à Prefeitura do Município.

Vi ali cenas raramente flagradas em um dia normal de sessão ordinária. As pessoas fizeram muito barulho. Por fim conseguiram ser ouvidas, mas saíram sem grandes perspectivas de terem seus pedidos atendidos, apesar da promessa dos vereadores de enviar moção de apoio ao governo do Estado. Os parlamentares também se comprometeram a servir de interlocutores nas discussões sobre os reajustes salariais de diversas categorias do funcionalismo municipal. Consta que o reajuste salarial oferecido pelo prefeito à GM seria inferior àquelas que terão seus salários reajustados.

Funcionários de uma empresa de limpeza e recolhimento de lixo da cidade engrossaram o caldo das presenças. Eles compareceram para prestar apoio aos colegas de funcionalismo, já que são prestadores de serviços.

Pude observar a desconexão entre a assistência e a realização da sessão. Eram muitos os que pisavam ali pela primeira vez. E nítido também que não se interessavam em entender como é uma sessão da Câmara. Os poucos com alguma curiosidade no olhar, quando tentavam prestar atenção, eram vencidos pela barulheira e gritaria geral. A maioria se preocupava apenas em fazer número, dando as costas para a mesa, numa clara demonstração de indiferença.

Três pessoas inscreveram-se para falar da Tribuna Livre, porém apenas uma dona de casa do Residencial Jundiaí ocupou o espaço para cobrar a construção de uma escola, uma creche e um posto de saúde para o bairro. Isso sem citar as promessas da campanha do atual prefeito em 2013, segundo ela até agora sem previsão de serem cumpridas.

Os nobres legisladores por sua vez, não deixaram por menos a oportunidade se manifestar na plenária, utilizando a boa e velha retórica do discurso político, carregado das tão manjadas frases de efeito. A exceção pode ser atribuída ao vereador e delegado Paulo Sérgio Martins, que fez um discurso mais contundente em defesa das reivindicações. Ele lembrou inclusive da retaliação que alguns funcionários da Guarda vêm sofrendo em função do movimento.

Em meio a isso, enquanto a coisa fervia, dois vereadores apresentaram, através de manobra, projetos de denominação de ruas. Fiquei imaginando o que os munícipes levariam dali como exemplo de trabalho e fiscalização do Executivo. Qual a suma importância de uma denominação de rua mesmo? Talvez nenhuma, em minha modesta opinião…

Logo após a fala dos líderes das categorias, às 20h30m, a Câmara esvaziou na mesma velocidade em que lotou. A sessão, que de início derrubou vetos do prefeito e aprovou outras matérias, terminou por volta das 22h. Permaneceram no local as mesmas poucas pessoas de todas as semanas, e que acompanham atentamente o passo a passo do Legislativo. Dos cerca de quase 150 presentes restaram apenas oito, o que é lamentável. Acredito fielmente que, se a Câmara pudesse estar sempre lotada, com munícipes cobrando sistematicamente o seu trabalho, muita coisa poderia estar acontecendo, de fato, em favor da população. E constatariam que, também de fato, contrariando o senso comum, os políticos não são todos iguais…

Márcia Pires é professora, radialista e administradora de empresas, é voluntária do Voto Consciente Jundiaí desde junho de 2010.

Colunista Convidado

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Link original: https://votoconscientejundiai.com.br/sobre-a-sessao-de-28-de-abril/