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Sueña y serás libre en espíritu, lucha y serás libre en vida

Publicada em 25/06/2013 às 13:57 | por Colunista Convidado

Relato de Laura Fontana Novo

Há mais de dez dias, observamos a palavra “liberdade” sendo vociferada durante as manifestações que sacodem o país a pretexto de exigir a diminuição das tarifas de ônibus e para reclamar por questões menos claras. No início dos protestos, nos assustamos com a quantidade de pessoas nas ruas, gritando um ideal ilustre e muito bem intencionado: “Queremos que a tarifa dos ônibus em São Paulo diminua!” O pontapé inicial estava dado. O resultado foi matemático. Milhares de pessoas reunidas em um grande centro urbano, dificultando o trânsito na principal estação financeira do país, somadas a uma polícia inexperiente e mal orientada. A isso, acrescentamos a potencialidade das transmissões midiáticas na era das redes sociais. Deixando de lado outros fatores um pouco mais subjetivos, criamos o ambiente perfeito para a efervescência de ideias libertárias.

No entanto, como há de se saber, a tão almejada liberdade pode ser fragmentada em diversos subgêneros. Temos a liberdade de expressão, liberdade de culto, liberdade sexual e individual e também a liberdade política. Mas não foi bem isso que pudemos notar na atitude de algumas pessoas, em seus manifestos. Conforme as horas foram se passando, fomos bombardeados por diversas informações acerca do que estava acontecendo nas ruas do Brasil. Todos os compartilhamentos via Facebook e Twitter se mostraram muito intensos e demonstraram a força do grande movimento.

No entanto, eu, assim como algumas outras pessoas, imaginávamos que a união dos manifestantes fosse trazer à tona as tão importantes e desrespeitadas pautas progressistas, mas o que percebemos foi uma onda de generalizações, como aconteceu em Jundiaí também.

“Ou o Brasil muda ou o Brasil para!” “Juntos pelo fim da corrupção!” Essas palavras que decoravam as cartolinas da galera nas ruas são bonitas e emocionantes, mas, na prática, não significam muita coisa. Não há ser humano em sã consciência que seja pró inflação, ou pró corrupção, assim como acredito que todos desejem educação e saúde de qualidade.

Vislumbramos um festival de reivindicações, algumas inclusive muito deficitárias no quesito possibilidade de execução, como por exemplo o “impeachment da presidenta Dilma”, já que nem sequer saberíamos quem colocar no lugar da governante.

Fomos nomeados de gigantes e recebemos os flashes das câmeras da grande mídia, mas no final das contas, “O gigante acordou” não deixou de ser trecho de propaganda de uísque e “Vem Para a Rua” de ser jingle de automóvel. Todos sabemos que a fama é como a água do mar, quanto mais bebemos, mais sede sentimos. E é assim que nosso gigante vem se comportando.

E em Jundiaí, apesar do encanto da mobilização, para alguns, a interpretação do “vem, vamos para a rua, pode vir que a festa é tua” foi levada ao pé da letra. O que não faltou foi a cervejinha em algumas rodas de amigos, afinal de contas, os melhores debates surgem com o bico molhado, ou não?

Outra questão importante a ser levantada diz respeito à ojeriza às bandeiras de partidos. No ápice de uma interpretação um pouco mais histórica, é relativamente fácil compreendermos os motivos pelos quais os brasileiros, sobretudo os mais jovens, odeiam os partido.

Isso se deve ao receio que as pessoas sentem da política como um todo: infelizmente as experiências dos brasileiros com os astutos dirigentes é terrível. Na confusão e na falta de informação o povo rechaça os partidos como forma, porque não sabe diferenciá-los em conteúdo. Aqueles que bradam para baixar as bandeiras o fazem porque não se identificam com partido nenhum. O único sentido de pertencimento é ao Brasil como pátria. Isso nos lembra sim o período militarista nacional mas não quer dizer que essa massa apoie a ditadura.

O que falta ao gigantes de cada cidade agora é o real debate acerca das deficiências municipais, estaduais e nacionais e, para tal, não importa se pintamos a cara de verde e amarelo ou se usamos a camiseta do Che Guevara.

Colunista Convidado

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