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Transporte Coletivo Urbano não é só ônibus novo

Publicada em 16/01/2014 às 09:55 | por Colunista Convidado

Artigo de George Savy <[email protected]>

É comum o cidadão se deparar com este tipo de nota nos jornais: “vinte ônibus novos adquiridos”. “Idade média da frota caiu para três anos”. Trata-se de uma notícia de impacto. Quem não gosta de uma condução nova? Mas como diz o velho ditado, “nem tudo que reluz é ouro”.

Mobilidade se faz com a soma das atividades resultantes de um estudo técnico, estudo esse que deve levar em conta prioritariamente a funcionalidade do sistema. A partir desse princípio, dois pontos são fundamentais: o lado operacional que envolve as prestadoras do serviço e a realidade do passageiro. Se este casamento não for perfeito, o sistema não é funcional, e sim um simulacro do que as autoridades costumam chamar de “sistema integrado de transporte”.

são paulo - jundiaíConstrução de terminais de integração e implantação dos itinerários equivalem às tarefas do Ensino Fundamental, isto é apenas 40% do projeto. Renova-se a frota ao bel prazer do empresário e o sistema está em operação. Mas quais são os veículos adequados para a cidade? Como é a topografia no itinerário a ser percorrido? Quais tipos de linha carregam mais passageiros? Esta é a função do Ensino Médio, tarefa que foi realizada com critérios minuciosos nas primeiras cidades que implantaram o sistema integrado. As linhas troncais, que transportam passageiros entre os terminais, são as mais sobrecarregadas, por isso a necessidade de serem operadas com veículos de maior potência.

Temos hoje na cidade veículos inadequados operando linhas troncais, que são articulados de motor dianteiro e de pouca potência, que nos aclives só conseguem subir em segunda ou primeira marcha quando lotados. São para cidades planas. Veículos inapropriados geram atraso nos horários, que somado ao trânsito nos horários de pico, acarretam na ineficiência das linhas expressas e do sistema como um todo.

E finalmente o que chamaríamos de tarefa da faculdade, é o trabalho a campo, para adequar o sistema à realidade do passageiro. Não adianta os itinerários estarem de acordo e trazer os veículos adequados para a cidade se o passageiro tem dificuldade para identificar a linha. A funcionalidade só se completa quando existe agilidade no embarque, seja dentro dos terminais ou nas ruas. Dentro dos terminais, o passageiro desembarca de uma linha alimentadora de um lado e embarca imediatamente no ônibus certo do outro lado. Como muitas vezes um ponto é o mesmo para duas linhas diferentes ou com mesmo destino e itinerário diferente, o passageiro tem a informação na lateral do veículo, seja através de placas ou caixas de itinerários ao lado da porta de embarque.

Fora dos terminais a identificação da linha precisa ser rápida, pois o veículo está em movimento. Se o passageiro no ponto dá sinal para o ônibus errado, acarreta em mais atraso. Os painéis eletrônicos nos pontos, que avisam os ônibus que estão se aproximando ajudam parcialmente, pois numa fila de três, quatro, cinco ônibus, os passageiros tem dificuldade em saber qual o seu ônibus se não existem cores ou sinais gráficos de acordo com a região operada.

Na década de 70 Curitiba implantou dentro do projeto de sistema integrado, cores de acordo com a linha. Os passageiros sabem que os ônibus de linhas expressas possuem determinada cor, linhas troncais outra cor, linha alimentadora outra e assim por diante. Belo Horizonte, na mesma década, dividiu as cores por região. Com o passar dos anos outras cidades, inclusive de interior, adotaram esse critério para facilitar a identificação das linhas pelos passageiros, agilizando o embarque.

É assim que se completa a funcionalidade de um sistema integrado. Cabe agora ao poder público corrigir os erros cometidos na primeira fase do projeto e dar sequência às fases seguintes de acordo com a cartilha técnica, e não de marketing partidário.

Colunista Convidado

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2 respostas para “Transporte Coletivo Urbano não é só ônibus novo”

  1. Gostei muito de alguns dos pontos que trouxe:

    1. “Temos hoje na cidade veículos inadequados operando linhas troncais, que são articulados de motor dianteiro e de pouca potência, que nos aclives só conseguem subir em segunda ou primeira marcha quando lotados.”
    2. Uso das cores para facilitar compreensão dos usuários
    3. Facilitar entrada e saída dos veículos

  2. Avatar Giovani Alencar disse:

    Concordo plenamente, George! Jundiaí é uma cidade que merece uma melhora no transporte para que os usuários possam utilizar no momento que precisam! E poderiam usar cores para demarcar os tipos de transporte, por exemplo:
    Cor X: Alimentadoras (Bairros ao Terminal de Bairro)
    Cor Y: Perimetrais (Terminal de bairro a Terminal de Outro bairro)
    Cor Z: Troncais (Terminais de Bairros ao Terminal Central)
    Dessa forma, o transporte já seria um pouco mais organizado!
    Outro ponto: Colocar ônibus que comporte o fluxo de passageiros.

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