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Você sabe que existe? Você sabe onde fica?

Publicada em 08/02/2013 às 01:08 | por Mariana Benatti

placa jundiai

(Peço licença, nessa sexta carnavalesca, de tratar de um assunto que não tem a ver com a folia desta semana!).

Temos debatido, sob diversas óticas e em diversas ocasiões, o tema da cultura em Jundiaí. O crescimento do debate reflete o crescente interesse da população (ou pelo menos de parcela dela) nas questões que envolvem o que é cultura na cidade. Neste cenário favorável, venho propor um olhar sobre uma questão, até bastante simples, mas que já há algum tempo venho refletindo.

A questão que chama a atenção é a ausência de placas de trânsito na cidade indicando os aparelhos culturais existentes nela – as placas marrons, que “indicam aos usuários da via os locais onde os mesmos podem dispor dos atrativos turísticos existentes, orientando sobre sua direção ou identificando estes pontos de interesse”¹, onde existem inclusive pictogramas para essas placas que indicam especificamente museus, espaços culturais, teatros e outros. Regulamentadas pelo Departamento Nacional de Trânsito, são padronizadas em todo o território brasileiro, presentes em inúmeras cidades, especialmente destinos turísticos – e nem é preciso ir longe: ao entrar, por exemplo, em nossa vizinha Vinhedo, já descobrimos a existência e localização do teatro municipal e do Memorial do Imigrante através de uma placa dessas, marrom.

Placas_Turistico

Jundiaí não é, por vocação, uma cidade turística. Apesar disso, dispõe de uma quantidade considerável de aparelhos culturais – entre templos religiosos centenários e modernos, teatros, parques, praças, museus, fazendas, circuitos rurais, patrimônios naturais, bibliotecas e outros patrimônios² – que podem ser considerados como “atrativos turísticos”, mas, ainda mais (e mais importante, ao meu ver), atrativos culturais para a própria população, que muitas vezes os desconhece por completo. Imagino que você que está lendo, assim como eu, tem uma história (ou várias) para contar sobre um bem cultural da cidade que você ou algum amigo jundiaiense nem imaginava que existia. Esse tipo de sinalização é, assim, também uma forma de divulgação (nessa era digital, imediatamente pensamos em divulgação nas redes sociais e mídias diversas e acabamos até nos restringindo a isso); além da função prática de indicar o caminho, também servem para aguçar a curiosidade em conhecer aquele bem cultural ali designado.

Acredito ser necessário um trabalho conjunto entre as secretarias, em especial de Cultura, de Transportes e de Planejamento. O uso desse tipo de sinalização mostraria o interesse governamental em fazer conhecido seu patrimônio cultural – e consequentemente, a ausência dessa preocupação pode ser interpretada como um desinteresse dos governantes para com a cultura da cidade. Essa é uma questão simples, mas que pode provocar uma grande mudança no olhar que a população direciona para o patrimônio cultural de sua cidade, valorizando-o e dele usufruindo, como é de seu direito, para que Jundiaí seja cada vez mais dos jundiaienses.

* texto adaptado de excerto do meu trabalho de conclusão de curso, intitulado “Museus e seu público: um panorama das relações museu-público na cidade de Jundiaí/SP”, 2012.
¹ BRASIL. Código de Trânsito Brasileiro. P. 138. 3ª edição. Brasília: DENATRAN, 2008. Disponível em <https://www.denatran.gov.br/publicacoes/download/ctb.pdf>. Acessado em 25 de outubro de 2012.
² olhando rapidamente na Wikipedia, podemos contar quase trinta pontos atrativos na cidade. Cf.: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Jundia%C3%AD#Turismo_e_Lazer>.

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4 respostas para “Você sabe que existe? Você sabe onde fica?”

  1. Avatar Marcia Henrique disse:

    Bem lembrado, bem observado Mariana. Além de informar, as placas tem o poder de divulgar e Jundiaí tem muito o que mostrar não apenas para seus filhos amados, mas para muitos visitantes também, além disso 2014 está logo aí. Parabéns!

  2. Avatar Emanuel Vito Vieira disse:

    Olá, Mariana. Parabéns pela iniciativa! Trata-se de um tema esquecido em nossas cidades. A sinalização turística é fundamental tanto para os turistas quanto para os moradores. Assim como vc, acredito que esta sinalização pode contribuir para despertar no jundiaiense a curiosidade e o desejo de conhecer uma “outra” Jundiaí, tão esquecida e desvalorizada. Como guia de turismo, vejo quanta coisa interessante temos em nossa cidade e região e que grande parte da população desconhece e por isso não valoriza, não preserva, não cuida. Para finalizar, tomo a liberdade de incluir neste comentário, uma máxima tão utilizada nos cursos de turismo: cidade boa para o turista é cidade boa para o seu morador.

  3. Avatar Lígia Luciene Rodrigues disse:

    É isso aí, Mariana, muito bem lembrado e observado! Essa sinalização é essencial para conectar a população e seus visitantes à memória e espaços públicos da cidade. Detalhe super importante.

  4. Lendo, fiquei pensando na dimensão digital desta proposta. QRcodes em prédios históricos e pontos culturais que compartilhem a programação, vídeos e histórias. Um mapa virtual, que destaque roteiros aliando com opções gastronômicas, de esporte e lazer e relembrando momentos marcantes da cidade!

    Que acha?

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